Vinho do Dão cai no goto dos asiáticos
Internacionalização é sinal de modernidade no centenário da região
A título individual ou cooperativo, mas sempre em moldes empresariais, os produtores da Região Demarcada do Dão, instituída fez ontem um século, estão a ultrapassar fronteiras. Os mercados emergentes da Ásia são mina de ouro.
António Moreira Marques, da Quinta de S. Pedro, em S. Miguel do Outeiro, Tondela (onde é também presidente da junta de freguesia há vários anos), é apenas um exemplo, entre muitos outros, do esforço que a Região Demarcada do Dão (RDD), que ontem comemorou 100 anos em que foi demarcada e regulamentada [18 de Setembro de 1808], está a fazer para vencer o futuro.
O empresário, dono das Caves Arcos do Rei, em Anadia, empresa através da qual exporta 90% de vinhos de várias regiões portuguesas para os mais impensáveis destinos mundiais, reconhece que o Dão está a revolucionar o paladar do mundo oriental.
"É um sucesso. A suavidade e a elegância do vinho do Dão, que cultivo e trato devotadamente nos 20 hectares de vinha que possuo em S. Miguel do Outeiro, estão a conquistar o território chinês", garante António Marques.
A tal ponto a internacionalização para os mercados asiáticos está a revelar-se feliz, que o produtor não hesitou, depois da primeira incursão no Japão, onde está há quase 10 anos, em avançar em força para a China.
"Investi 250 mil euros na província de Shandong, onde estou a engarrafar, e não hesitei em contratar duas licenciadas: uma chinesa e uma portuguesa. São elas as nossas interlocutoras", revela António Marques.
Além da China e do Japão, o vitivinicultor exporta para vários países europeus e americanos. "As mais recentes e bem sucedidas incursões foram para a Polónia e a República Checa", conclui.
O percurso do empresário acompanha o da RDD, actualmente presente em mais de 50 países, para onde duas centenas de agentes económicos e produtores, agregados a nove adegas cooperativas, exportam 40% de uma produção média anual de 50 milhões de litros de vinho.
A celebração do centenário da RDD, ontem assinalada, é vista por Valdemar Freitas, presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVRD), não numa perspectiva passadista, mas com o olhar voltado para o futuro.
"Temos de aproveitar a experiência adquirida para seguir em frente. Com a certeza de que não nos faltam argumentos de peso para continuar a marcar pontos dentro e fora de portas: vinho de altíssima qualidade, bons produtores e prestígio", sublinhou o presidente da CVRD.
Investir na comunicação e na imagem é, para Valdemar Freitas, outra forma de "aumentar a visibilidade dos vinhos do Dão".